As miçangas brilham como esmeraldas
Setembro 27, 2008
E eu descobri que vivia no quarto lendo as rachaduras e infiltrações no teto. Imaginando mil lugares que só existiam na minha cabeça, mas que eu dava nomes verdadeiros só pra ninguém me encher o saco. Todo mundo sempre diz: vai pra lá, vai pra cá. Faça, aconteça. E puxa! Sou perita em arregalar olhos saudosos e arrancar a fantástica frase: “Nossa! Você não mudou nada!”. E eu imortal, sei lá, pensando que vou morrer a qualquer instante de tanto sonhar. Sonhar que vou morrer e morrer de pena de mim. Eu não sei, é engraçado feito Didi Mocó, Mussum e Zacarias*. Nem sei onde estou, mas asseguro aos meus amigos que vou estar esperando por eles com meu sorriso com dentinho estufado que nasceu revoltado depois de um chute de uma bota ortopédica com biqueira de caneca do alumínio. Uns mancam outros riem torto mesmo, fazer o que?
Enfim, pensei que seria a Argentina sabe? Frio, café, tango, livros e estas coisas sofisticadas. Mas é o cu de Minas mesmo… Você sabe onde fica? A mim me parece lindo! Porque o cu da gente é uma coisa que só dá pra ver no espelho. E eu queria tanto ficar sozinha… É a melhor sensação de medo que já experimentei na vida. E estou tão bem porque não tenho saudades. Ai, tô egoísta! Deliciosamente. Querendo mudar o mundo. Fazer mentiras acontecerem. Estufando o peito pro nada pra qualquer um enfiar a mão e tirar uma coisa ao léu feito cartola de mágico. Eu sei lá, que pena que automatizaram: “Eu estou bem”! Porque não é humildade… Eu realmente estou muito bem…
*Tem o Dedé também gente! Mas ele não te graça…






