Bartebly.
Março 29, 2009
você acorda, programa uma boa alimentação para o dia, faz massagem nos caracóis, pinta as unhas de vermelho, escolhe o melhor vestuário: com catapora e rodado como um abajur. – É sim como se preparasse para um ritual porque descobriu a importância de se deixar mitificar nas mínimas coisas. já de noite, pintar a pele é super importante. Não se deve economizar nos olhos de egípcia à la Elizabeth Taylor e procura sair cedo para passar naquele bar escuro onde, no seu balcão preferido, doses refrescantes de vodka te purificam de qualquer expectativa. assim como quem não quer nada, um Zé ninguém aparece. Se diz um forasteiro. Você então lhe oferece uma fala contraditória em retribuição por ele te fazer se sentir num trailer country … madrugada. um relógio digital avisa que você perdeu aquele show e já está em casa. Tem sede. Tem vontade de fazer xixi. O interruptor não está no mesmo lugar de sempre. Você não está na sua casa. Aproveita a luz do banheiro para catar sua roupa espalhada no quarto mal iluminado. Confere o estranho: nem bonito nem feio. Normal. acha melhor sair à francesa já que o pouco que se lembra era que conversaram sobre música francesa. Uma padaria abre as portas. O café lhe lembra o quão sombria foram suas últimas horas. Você tira o caderninho da bolsa, pensa num poema sobre seqüestro e roubo de pérolas. As palavras iniciais fogem. A cabeça dói. Melhor não. cata as moedas, paga o café. afunda no travesseiro. Mancha de rímel a fronha. Conclui: “O niilismo não deve ser usado para fins suicidas”.






