Boemia em fim de ano
Dezembro 21, 2008
Agora que é natal, eu me preocupo com o dono do bar no lado de lá do balcão. Por educação, ele não põe um ponto final na noite. O dia amanhece, acende o negro e ele por educação ainda é o mestre bondoso da noite. Tão compreensivo com os corações vazios! Eu me preocupo por ele trabalhar nos fins de semana e não ter uma namorada, agora que é natal. Devo gravar um cd com minhas canções de rock favoritas e tentar preencher seu coração. É o máximo que posso fazer. Porque eu me preocupo por ele não ter lucro nem com a fidelidade do público. E talvez ano que vem ele queira vender aviamentos ou artigos importados a 1,99. Agora que é natal, eu me preocupo com o dono do bar que não bebe nem cheira; mesmo chefe é ignorado pela garçonete, que arranca os sapatos e vai dançar descabelada com os clientes.
Um minuto me distraio e quando volto os olhos para o dono de bar, vejo que ele se diverte com o cozinheiro que toca uma percussão. E não tendo mais como lembrar que é natal ganho a rua… Passo agora a me preocupar com a lua, que no réveillon vai se vestir toda de céu. E se ela esquecer de ao menos se enfeitar com purpurina? Eu me preocupo comigo sem nada para desabar na minha cabeça.
É natal também nas Histórias Possíveis. E eu estou lá!







