Coisas de passarinho

Abril 9, 2009

O mau humor até se esquece de mim quando eu noto na janela do meu quarto um imenso prédio em construção. Talvez ele não me encontre porque chego perto das pirâmides do Egito. Vou deitada na minha cama que desliza utilidade para tapete voador graças ao empilhamento de tijolos. Contudo, nada deve ser melhor, nem mesmo minha condução de mil e uma noites, do que aquele elevador amarelo que a tecnologia pôs no lugar dos andaimes. Coisa do passado esses professores que na melhor das hipóteses graduavam com a didática da morte pedreiros equilibristas! Até o azul pipocando na cortina do mundo fica negligenciado… Coisa de poeta isso não, vaidade humana (risinhos cínicos).

Quando a construção estiver habitável, pode ser até vantagem a bela vista dos grandes, de onde se vê os horizontes da nem tão pequena cidade. Mas de onde virá majestade? Não é do tamanho não. É do capacete azul e do elevador amarelo a deslizar pelos tijolos vermelhos. Será que os pedreiros sabem? Ou será que são daltônicos? Será que sentem friozinho na barriga quando sobem? Ou será que só se cansam? Porque tem motivo pra isso né? Tenho um desejo: que, no mínimo, um deles se rebele e possa um cadinho sonhar como criança, mesmo dentro daquela gaiolinha. Porque uma vez passarinho não se pode só pensar no ninho.