Férias
Março 14, 2008
Olhar o céu cinza e procurar frio.
Ficar deitada na cama de lençol rosa como se fosse uma formiga a boiar num copo de iogurte encorpado.
Ler Henry Miller para tomar coragem de contrabandear para a França belas gargalhadas latinas. O medo veio do jornal: fiscais abrem correspondências e não deixam passar conchas do litoral nordestino. O medo veio do jornal. O mundo vai acabar em 2012 segundo a Nasa… O pólo norte e o pólo sul vão nos deixar em baixo d’água. Chico Buarque! Fico tentada a escrever uma carta de amor só para ser estudada por escafandristas. Esse é o desejo de todo escritor não?
Férias, Deus do céu! Férias! É preciso eternizar momentos.
Ando tão feliz que fico com esta impressão de que alguma coisa de muito ruim vai acontecer. Tenho vergonha de dizer assim com voz. Mas eu quero me ver ser inundada pelo pólo norte e o pólo sul derretidos em 2012. Vou ficar de braços abertos na margem da praia de Copacabana e de boca aberta. Igual aqueles personagens do filme americano que eu vi, pai e filha abraçadinhos vendo uma onda do tamanho do Empire States cair de uma vez sobre eles.
Um chuá grande como 10 bombas atômicas!
Agora vou ficar deitada na cama de lençol rosa como se fosse uma formiga a boiar num copo de iogurte encorpado. Henry Miller nisso foi insuficiente. Hoje estou mais pra Cortázar.






