Prelúdio.
Aos inadvertidos
que fizeram meus dramas engraçados:
Bananas!
(coisa mais sem grosso e sem nada
cheia de amarelo e sardas).
Aos equívocos
cujo doce fizeram meus sonhos penados:
Plumas!
(para se aprender andar
à dois centímetros do chão).

Renasça Colombina,
Carmem e Odalisca!
Na mala vai as máscaras,
no ouvido penduricalhos,
nunca mais conselhos.
Nem na boca, hein!
Donde não se escova mais os dentes
Porque há de cultivar vida nela
invisível e com peçonha,
tal qual micróbios e demônios
que habitam a pele e a razão dos loucos.

Sábado.
Aviso:
Eu não tenho bom senso
pra mesa de bar.
Se quiser que eu saia,
tem que implorar.
Mentira,
saio com elegância e bom grado
depois de fazer de conta
que estou num livro de Jorge Amado.

Domingo.
Respondo:
Hoje tem palhaçada?
Cadê meu senhor?
Hoje tem marmelada?
Dá cá meu amor.

Segunda.
Rogo:
Príncipe encantado,
vejo em ti mil sortilégios
ainda que não tenhas cavalo.
Não deixes apenas a herpes
nos meus lábios de lembrança,
nem tampouco a camisa xadrez
com xeque-mate embutido como herança.

Terça.
Foto:
retocando o batom
no brilho da poça de lama
espera outro grande amor
passar tropeçando enquanto samba
enchendo as unhas de rubor
ao lançar o bote que o alcança
inventando-se presa
e formas de ser abatida.

Quarta.
Xepa:
Repouso num cinzeiro
depois de virar fumaça
na boca de homens brisa.
Só uma traição me resta:
A amnésia.

Ora vejam, amigos!
Eis a fruta
Que conheço até o bagaço.

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