Novela sem nome
Agosto 18, 2007
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Eu te amo.
Eu te apaixono.
Não, não dá para conjugar assim o verbo apaixonar. Porque o amor é intransitivo mas a paixão não. E tratando-se de Álvaro ela é muito mais transitiva. Nem mesmo fez um mês e estou aqui sem onde colocar este sentimento.
Ele, que me ensinou a des-focar o fundo na fotografia, presumo que já tenha descoberto neste intervalo de nossa história o quanto de mal o fiz. E assim espero que não seja mera pretensão da minha parte. Não quero dar paz a nenhum homem, pois. Mas confesso: a tendência ao suicídio amoroso me denuncia. Essas coisas de mulher me traem e ele bem o sabe.
Por outro lado há aquela maldita ingenuidade masculina. Eles são como bebês que prevêem a verdade. E eu me fazendo de burra. Ele disse várias vezes na manhã seguinte ao nosso último encontro o quanto da noite havia de dionisíaca. E eu, me fazendo de distraída, sem coragem de me revelar, pensava: “que droga! Por que exalo tanto?”. Amaldiçôo, mas não posso mentir: há um certo prazer em ser mulher E ele não é pequeno. E por isso eu prefiro sentir a entender.
Quando eu deveria lutar por ele estou indo ao seu encontro para tirá-lo da minha vida. Eu poderia esperar a professora terminar de falar sobre desejo e gozo mas já escutei o bastante. Passarei na cantina para acender o cigarro antes. Isqueiro e amor são duas coisas que duram pouco na minha vida. Ou são raptados ou são simplesmente perdidos. É a chama fugaz… Queima nobre Marlboro, queima enquanto cozinho as palavras.
{continua ou não}






