E você joga a toalha e diz: “agora sim, não o amo mais”. Mas ele ainda existe. E não importa se diz não com nariz de coelhinho ou se não te permite lembrar o que fazia dele um príncipe. Ele existe agora só pra te lembrar que você fracassou como ser humano maravilhoso. Lixar as unhas até que sejam esquecidas como garras para não atrapalhar o lápis que escorre palavras num caderno. Purificar com acetona o vermelho delas. A vida toda lá fora te empurrando para casa, para o quarto, para a cama, para o travesseiro. Você pode jurar que esta é a última vez que vai morrer. E sabe que não porque o fato de imaginá-la já demonstra que você está renascendo. Sentir-se viva sem saber para quê é como dissolver todo o corpo num copo de café. Como seria bom viver com medo. Mas qualquer medo é nada quando já não se teme o fracasso.
Alguém aperta o interruptor e ignora suas lágrimas:
- Tava dormindo? Desculpa. Empresta seu vestido azul marinho?
“Shuinf”
- Pega aí… Pode deixar a luz acesa…
A amiga se retira. Os olhos imersos de água, o barulho ensurdecedor da luz, fade in no altruísmo.