Não sei conjugar esta coisa de subjuntivo
Dezembro 6, 2009

Vi há pouco um vídeo nonsense e patético de alguém na internet. Ela pôs o bater das ondas do mar na areia. Era evidente que esta pessoa estava maravilhada e que aquela era a primeira vez que ela via o mar. Pensei: este barulho mais parece sucessivos rasantes de avião. Contudo, ainda posso me iludir com ondas, como se fosse uma delicadeza erótica, uma promessa de que a vida corre de forma sutil e cuidadosa como um banho de gato. E não essa ternura dada pela violência dos fatos que nos cai sobre a cabeça. É tão boba a forma como o coração se deixa enganar! A dor me ameaça a cada suspiro. A eternidade do tempo me humilha. Meu fim inevitável me ressente. A saudade me dá voltas… mas estou aqui, forçosamente resignada. Não de joelhos! E sim plantando bananeira. Quero mais é o delírio! Quero ser operária de mistérios como mágicos de circo. Lamber nuvens e furá-las como os urubus. Meu anjo será vermelho e com tranças me expondo aos desafios do absurdo. Gritarei gol mesmo quando a bola passar por fora da trave. A vida me baterá com um martelo de carne… E eu não vou deixar de reclamar “ai, porra!”. Mas, suspeitando que ela deseje transformar bifes de segunda mão em filés, vou me espalhar desavergonhada no baque das pancadas.






