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Síndrome Onithoptera Chimaera (SOC)
02/14/2007, 2:44 am
Filed under: Crônicas

O macho da Onithoptera Chimaera, uma espécie de borboleta do Papua-Nova Guiné, depois da fertilização da fêmea, coloca no órgão genital dela uma secreção que impede uma nova copulação. Apesar de considerar que a complexidade social das borboletas é quase nula em relação à nossa, e que isso deve ter alguma finalidade natural para a espécie, alguns cientistas encontraram, em um grupo de pessoas, comportamentos semelhantes ao dessas borboletas.

A SOC (Síndrome de Onithoptera Chimaera) se configura mais freqüentemente em mulheres, mas podemos contabilizar alguns casos isolados com gêneros masculinos. Os portadores de tal doença, depois de apaixonarem-se com toda a força do coração, do estômago e das tripas, chegam a acreditar em nível inconsciente que são fêmeas de borboletas dessa espécie, ficando impossibilitadas de se relacionarem novamente. Os sintomas são claros e a cura é possível se a pessoa abrir seus olhos a tempo.

Quem afirma é o médico pioneiro no estudo da SOC no Brasil, doutor Amendoim Catuaba Babaçu, da Universidade Mundial da Esbórnia (UMES). Doutor honoris causa, ele dá as dicas para o diagnóstico caseiro antecipado. “É fácil notar se um familiar ou amigo está sofrendo deste mal. Quem alucina anda como um vôo de borboleta, parecendo que vai sucumbir à gravidade a qualquer momento, pois carrega este amor como quem carrega o mundo nas costas”. Segundo o médico, cabe também aos amigos e familiares iniciarem o tratamento levando o paciente a um bar mais próximo para beber e cantar canções como “Meu mundo caiu”.

O uso de antidepressivos não é recomendado

Apesar das recentes pesquisas não apontarem para uma cura e um tratamento imediato que amenize o tempo de alienação da paciente, o doutor Babaçu desaconselha o uso de antidepressivos, já que o problema não é de tristeza, e sim de falta de esperança. Para ele, apesar de difícil, os parentes e amigos do doente devem persistir no trabalho de conscientização. “Estas pessoas costumam ter uma predisposição familiar. Desconfiamos que talvez os germes da SOC venham de algum distúrbio na assimilação da educação recebida da família e da sociedade. Por isso é tão difícil quebrar estes padrões e tão importante a ajuda de amigos e familiares”, justifica.

Outro ponto de vista vem de estudiosos gregos sobre o assunto. Para eles o peso vem do fato das pacientes terem uma auto-imagem distorcida, como se elas fossem vítimas de um destino trágico. Esta concepção faz parte da Escola Eros Herética (Escola Erótica), que há 5 mil anos vem estudando outra patologia ligada à SOC: a Psicose Maníaca de Idílio (PMI), segundo a qual o indivíduo não consegue lidar com a vida real sem estar submerso no mais profundo idílio. “Como só o idílio com o ser amado e os ganhos da experiência que adquiriram no tempo em que eram correspondidas importa, nenhuma experiência de vida mais é considerada”, acrescenta o professor Babaçu.

O amor e o sexo com outros parceiros podem curar

Raros são os casos de recuperação, mas os que conseguem se curar adquirem imunidade a tal ponto que dão contribuições significativas à pesquisa da SOC. Uma das primeiras pacientes estudadas pela escola grega dos Eróticos, a herdeira do trono de Cretos, Ariadne D., ex-soquiática (como são chamados os curados), hoje casada com o grande produtor de vinhos Dionísio Baco, se sente tão recuperada que formou até um grupo de auto-ajuda na ilha de Naxos. “Essa doença é muito triste… A gente fica por aí, vivendo a borboletear, camuflando-se nas cores de flores de jardins e em argumentos sem nenhum embasamento”, descreveu.

Ariadne foi abandonada por seu primeiro amor Teseu, na ilha de Naxos, depois de ajudá-lo a fugir do labirinto de Cnossos. Mas o aventureiro abandonou-a adormecida durante uma escala do seu navio. Dizem que ele tinha outra, mas o fato foi abafado. A herdeira do trono de Cretos tinha meios de sair da ilha e voltar para o reino do pai, mas desde então preferiu ficar por lá. “Tudo o que eu queria, quando estava doente, era evitar ser vista e me isolar do resto do mundo. Hoje eu entendo que a razão para tanto disparate amoroso passa por vários motivos, entre eles, a culpa”, revela e acrescenta com um sorriso no rosto: “Se não fosse o Diô chegar naquela manhã e me chamar para morar no Olimpo com ele e os sátiros, talvez eu nunca descobrisse a felicidade. Porque o grande mal dos soquiáticos é que eles não sabem que há sempre uma porta aberta para a felicidade”, conclui.

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4 comentários so far
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um dia alguém me disse ao ouvido que o amor é uma língua que quem sussurra não conhece. e é só isso. só isso.
adorei o teu texto, como de costume*

Comentar por Hélder Beja

Você também falando sobre Síndrome…?
Deve ser mesmo uma epidemia.
Pelo menos a Síndrome Onithoptera Chimaera parece ter cura, já a Síndrome de Franz…

Comentar por Wagner Campelo

Então, amiga, repito a estória das camadas, estou saboreando cada nova uma, resumindo: banquete…

Comentar por Débora Piacesi

Mais uma vez por aqui p dizer q minha rota só e´completa se eu passar por esse espaço!

gosto do que escreves!

Abração!

Comentar por wagner marques




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