A Livraria das Obras Inéditas


Guarda Chuva
08/16/2009, 6:19 am
Filed under: Escrito em confete

Esticou bem a língua para o céu acertar uma gota e irrigar as papilas. Todas as nuvens em equipe tentaram, mas nem assim tinham a mira tão boa de outrora. Enfiou cinco dedos num bolso e mais quatro n’outro, como se um polegar esquecido fosse natural. Com a canela empurrando a saia comprida fez de conta que podia flutuar… Mas eram passos, pesados pelo pano que encharcou, a pele que enrugou e o cabelo que minguou. Às vezes uma chuva era apenas uma chuva, carregando todo lixo da rua para dentro da sandália. Ou fazendo a casa ficar mais longe como um demônio às vezes fica manipulando o espaço. Não! A verdade é que era apenas uma chuva e o mais que poderia acontecer era  a mulher ficar resfriada ou humilhada. Não! Já na porta de casa deu uma última olhada no rio de dejetos que rolavam no asfalto. Tão logo as nuvens desfizessem as mãos dadas o rio seria de novo apenas a mesma estrada limpa. Já se escorrendo, dentro da sala, um Deus lá fora parecia bravo. Seu coração acelerou como se tivesse para onde correr. Foi para cozinha e tomou um copo d’água. Demorasse mais um pouco, morria de sede.

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