A Livraria das Obras Inéditas


A difícil arte de amar
06/25/2010, 4:32 pm
Filed under: Capítulos perdidos

Como se fosse mestre em carícias excêntricas, medi com o arco feito pelas minhas mãos o pescoço de Rosário. Gostaria de extravasar todo o ódio que sentia por ela, mas, eu prometi a mim mesmo nunca matá-la. O melhor era despi-la depressa, antes que eu pudesse perceber que tentava guardar cada detalhe do seu corpo… Mostrar indiferença pelo seu corpo… Não sei dizer se era possível ao calcular o tamanho de cada mudança… Sentia desprezo por todo aquele papo furado do bar, viu? Só quero te comer… Arranquei teatralmente a calcinha dela. Do que nós falávamos, eu já nem me lembrava. Só sabia que com certeza não devia ser bom assunto. E que fosse o que fosse nos trouxera até ali, ainda não sendo bom.

Anos se passaram e aquele enigma persistia. Eu me via enredando de novo. Talvez devesse tentar arrancar a teia e, por isso, puxei os cabelos dela com força… lisos, bem próximo do odor das axilas suadas… e a pele dos seios escorregadia, úmida. Cobra. Seu corpo quente era uma mentira. Eu podia adivinhar o sangue de Rosário escorrendo pelos corredores internos, devagar e frio como as tubulações de esgoto de uma grande cidade. Eu não sei se um dia me desfiz daquela mulher como pensei.

Pronto! Ela já agarrava o meu pau com a boceta. Vi sua pele se escamar e eu estava totalmente preso outra vez. Desesperado comprimi seu tronco e estaqueei aquele útero inúmeras vezes até meu pênis se esfolar. Ainda assim, não esguichei nenhuma gota. Ela transbordava e gemia enfiando, primeiro, metade dos dedos nas minhas costas… depois no meu cu…

Um homem não pode gozar com algo assim! Assustei. Dei um tabefe no rosto dela. Ela respondeu com um grito. Não pude mais segurar e gozei. Derrotado ao seu lado, quis chorar. Eu não queria mais aquilo de novo. Aquele jogo doentio.

Tão logo a respiração voltou ao normal, eu desisti da certeza de que jamais voltaria para Rosário. Ela chorava e se afundava no meu abraço. A aranha pertencia à teia. Uma capeta velha com a cara de uma menina de dezoito anos. Bebi todo o sal daquelas lágrimas. Suguei suas bochechas e beijei seus olhos. Cheirei seus cabelos e escorreguei a mão pela bunda e coxas. Ela ainda não tinha tido prazer… Eu sei, eu sei… com meus dedos explorei todo o ventre e ajudei-a chegar no clímax brincando com seu clitóris.

Quando terminamos, ela me sorriu domesticada. Ora, nem eu mais sabia quem era aquela mulher que me acompanhara até em casa. Não importava, no entanto. Eu já achava inútil qualquer coisa. Simplesmente adormeci como há mais de dez anos não fazia. Jamais imaginei que a mágoa fosse causa de tanta insônia. Adormeci e sonhei depois de anos… Sonhei que andava de skate. Skate! Vê se pode! Acordei num tombo e agarrei-me àquela mulher feito um menino que desconhece a maldade. Ela também despertou com meu espasmo. E ao acariciar meu rosto, quando pensei que ela me diria “eu te amo”, ela se desenlaçou de mim e num salto foi mijar.

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