A Livraria das Obras Inéditas


Juízes
04/17/2011, 8:32 pm
Filed under: A Bíblia dos céticos

Sabe quando criança vai brincar na rua e volta com um gato selvagem? Ela suspende o bichano, que contorce a pata traseira e a coluna, e diz para velha: “Olha o que eu achei!”. Os olhos da mulher grande, que nem são azuis, fica até pornográfico do jeito que põe a menina para fora. E a pequerrucha pergunta entre envergonhada e enganada pela esperança: “Posso ficar com ele?”. Que agonia é o “não”! A mais velha, responsável pela formação da menor, deve dizê-lo de uma vez. Esta palavra deve sair com lâmina! E não é desagradável de se falar, uma vez que se afia o não para os filhos nos próprios cortes que a vida te dá.

Mas sabe? Não adianta. Dizem que todo mundo já nasce com cicatriz (a rainha de todas)… E mesmo que isto não tenha cabimento, não existe como não se arranhar. A mãe olha a mãozinha da menininha toda arranhada e diz escondendo o próprio medo; “não”! Fala de doença, da falta de espaço na casa e até – pasme! – responsabilidade. Diz: “você não tem responsabilidade para cuidar de um gato! Vai sobrar para mim”. E etc., estas ladainhas. Mas na verdade, o que ela faz é tirar da menina a responsabilidade pelos primeiros arranhões. E tudo indica que daí para frente vai ser muito difícil para a garotinha entender que até os recém nascidos já arranham seus bracinhos quando são empurrados do útero.

(O que? Você quer me dizer que o sangue lubrifica e que a carne é macia? Pois saiba que se não fosse assim, lençol de seda e edredom evitariam dores de amor.)

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