A Livraria das Obras Inéditas


Rute
04/19/2011, 8:02 pm
Filed under: A Bíblia dos céticos

A menina trouxe o copo d’água.

Idiota!

…Raspou a palavra na garganta da velha e logo em seguida os beiços despencaram até o queixo. O que era aquilo? Olhava os desenhos animados, sempre mais expressivos, procurando: o que era aquilo afinal? Depois, o jornal falava de balas perdidas… Uma agressão que escapa de seu alvo e atinge qualquer desavisado e inocente. Podia jurar que a qualquer momento aquela cara de voçorocas cuspiria no chão e faria um buraco tamanha acidez daquilo que, por algum milagre, de alguma forma, ainda lubrificava as engrenagens daquelas palavras ríspidas. E a menina, coitada, tão pequenina o que fizera? O que era aquilo? Vovó boazinha, biscoitinhos de chuva, histórias, cadê? Bruxa! Qualquer dia quando a mãe chegasse do trabalho ela estaria afogada num caldeirão entre cenouras e batatas flutuantes. Logo ela, logo ela que odiava legumes.

Tava lá, só duas gotinhas não enxutas na mão que respingaram na bíblia. A velha estava com raiva? Estava brava? Será que era porque não tinha forças para bater? Se pudesse lhe dar uma sova fosse mais feliz? Ufa! Então tudo bem, a menina era mesmo idiota, fosse o que fosse. Coisa boa não devia significar, mas preferia ser isso aí a levar uma surra. Deus milivre dor! Deixa a velha louca resmungar em seu canto. Qualquer coisa à borracha das havaianas lhe sapecando a pele. Fora boazinha lhe trazendo água temperada. Quente até aquele arranhadinho! E gelada até o topo. Assim, na canequinha de alumínio, até parecia que vinha direto da bica da antiga casa com chão vermelho.

Era tudo tão diferente lá naquela casa. Quando o moço fechou o portão após o caminhão ir embora com as coisas… A mãe estava feliz mas… A menina adivinhava! As coisas não seriam mais as mesmas. E assim ia piorando! Um ano! Era divertido andar de ônibus com a babá. Se agarrava atrás do acento da frente e cantava a música que quisesse. Cantava tudo que via pela frente e o que só imaginava atééééééééé… chegar na sua rua. Aí já não tinha tanta graça, andar não tinha mais graça que o ônibus. E as mãos ficavam mais cansadas do que as pernas de tanto dar a mão. As letrinhas também não davam mais as mãos, pois não enxergava nem uma palavra lá de baixo. Fica lá no alto o fim dos braços do adulto! E coitada da criança que tem que ficar com mão estendida! Tudo porque adulto tem medo de criança. A babá brigava com ela e a menina descobriu o medo: “Depois você sai correndo e um carro te pega na rua e comé que eu fico, hein?”. Mesmo assim era melhor. De mãos dadas ela ainda podia andar de olhos fechados. E de olhos fechados começava… A, ab, abelha, Ac, acetona, até tipo… tipo… azeitona e zebra no fim do mundo.

Agora tinha que correr para o dicionário. Um monte de curiosidade para uma palavra só. Idiota, adj. 2 gên. E s 2 gên. Bobo; parvo; imbecil (as lágrimas escorrendo aos poucos, bem devagarzinho, mesmo sem saber o que era imbecil, pressentia uma coisa ruim); tolo; falto de inteligência; cretino (o que era isso?). (Med.) pessoa na mais baixa escala de força intelectual (agora já chorava muito). O Q.I. (quociente intelectual) é abaixo de 20, comparado com o normal de 100. Mas teve uma idéia. Foi até a avó, arrancou a havaiana do pé da velha e com a chinela em riste gritou: “Quando tiver que bater, bata viu?”.

Anúncios
Comentários Desativados em Rute


Juízes
04/17/2011, 8:32 pm
Filed under: A Bíblia dos céticos

Sabe quando criança vai brincar na rua e volta com um gato selvagem? Ela suspende o bichano, que contorce a pata traseira e a coluna, e diz para velha: “Olha o que eu achei!”. Os olhos da mulher grande, que nem são azuis, fica até pornográfico do jeito que põe a menina para fora. E a pequerrucha pergunta entre envergonhada e enganada pela esperança: “Posso ficar com ele?”. Que agonia é o “não”! A mais velha, responsável pela formação da menor, deve dizê-lo de uma vez. Esta palavra deve sair com lâmina! E não é desagradável de se falar, uma vez que se afia o não para os filhos nos próprios cortes que a vida te dá.

Mas sabe? Não adianta. Dizem que todo mundo já nasce com cicatriz (a rainha de todas)… E mesmo que isto não tenha cabimento, não existe como não se arranhar. A mãe olha a mãozinha da menininha toda arranhada e diz escondendo o próprio medo; “não”! Fala de doença, da falta de espaço na casa e até – pasme! – responsabilidade. Diz: “você não tem responsabilidade para cuidar de um gato! Vai sobrar para mim”. E etc., estas ladainhas. Mas na verdade, o que ela faz é tirar da menina a responsabilidade pelos primeiros arranhões. E tudo indica que daí para frente vai ser muito difícil para a garotinha entender que até os recém nascidos já arranham seus bracinhos quando são empurrados do útero.

(O que? Você quer me dizer que o sangue lubrifica e que a carne é macia? Pois saiba que se não fosse assim, lençol de seda e edredom evitariam dores de amor.)

Comentários Desativados em Juízes


Números [Pentateuco]
04/14/2011, 12:45 pm
Filed under: A Bíblia dos céticos

Trecho retirado do capítulo do Números ou um pequeno tempo para a publicidade de jeans, desodorante, refrigerante ou tudo aquilo que couber.

Sempre três vezes. Ela foi à casa do recente ex-namorado guiada por uma forte carência. Carência esta alimentada pela perda da metodologia de esquematizar maneiras para suprir-se. Estática diante da campainha, a única que intermediava o passado e o presente, ela medita sobre uma forma de ser racional, como se razão evitasse sofrimento. Olha para rua em busca de uma resposta. É assim que uma idéia lhe ocorre: “Eu apertarei a campainha se dentre três carros que passarem um for vermelho”. Não… Hesita. Por que três e não quatro?Afinal quatro são os pontos cardeais, quatro são as estações do ano, quatro são os elementos – água, terra, fogo e ar, quatro são as fases o homem – nascimento, crescimento, maturidade e velhice, quatro são as espécies celestes, quatro são as espécies terrestres, quatro são as espécies aéreas, quatro são as espécies aquáticas, quatro são os anos necessários para formar o ano bissexto, quatro é o número necessário de patas para um animal se manter de pé, quatro é a posição preferida dele. Está bem! Grita dentro da sua cabeça um cansaço (enfim útil para alguma coisa): “Um número par poderia ocasionar um empate e não teríamos uma resposta”. Três.

Então porque não o cinco ou o cabalístico sete ao invés de três? Aaaaaaaaaaai! Aquilo não teria fim… Jogar uma moeda, melhor que carros. Funciona com o I Ching, né? Cara, sim vou lutar pelo meu grande amor; coroa, não vou me humilhar. Mas e se a primeira resposta não for a certa? Uma chance em… Ah, não lembrava a probabilidade da estatística. Melhor então jogar a moeda três vezes para ter certeza. De novo três? Que mania! Quando ia comprar quindim na padaria sempre eram três. Será que era por causa da crença de São Longuinho? Desde criança ela dava três pulinhos para o santo lhe restituir uma coisa perdida. Mesmo o I Ching… Para desenhar um hexagrama era preciso seis linhas (duas vezes três). Olhou para o braço, um jogo de pulseiras. Jamais usaria só duas ou uma, mas três é o mínimo.

Lá na Grécia tinha cerca de 120 tríades míticas (40 grupos de três). Também na mitologia escandinava três divindades do destino dividiam o cosmo em três partes distintas. No Egito Osíris, Ísis e Hórus e no hinduísmo Brahma, Vishnu e Siva. Por que nenhuma vinha lhe socorrer? Três são as línguas sagradas, três são as épocas da história humana: passado, presente e futuro… E por falar nisso, o que fazer? A numerologia diz, tenta ela se convencer, que a terceira vez é a do encanto, porque este é um número considerado por milênios como mágico. Por isso bater na madeira três vezes para isolar um mau agouro. E, como não pode deixar de ser, na numerologia, o três denota tanto harmonia espiritual quanto energia sexual. É uma espécie de energia transcendente e geradora. Hum, bem sugestivo!

Então decidiu voltar aos carros e optou pelo três para fazer a intuição falar. Mas e se passar um fusca rosa, um Passat amarelo e um Gol verde abacate? Escolheu o vermelho porque estava na moda, isso não poderia acontecer. E, enfim, decidida garantiu: “Se tudo der errado dessa vez, ainda volto outras duas vezes mais por garantia”.

Comentários Desativados em Números [Pentateuco]


Levítico [Pentateuco]
04/13/2011, 7:15 pm
Filed under: A Bíblia dos céticos

Um olhar só perde o silêncio se for compartilhado com outro. Caso contrário goza-se dos mais profundos mistérios. Por isso, quando outros homens foram brotando de jaz-idas fontes e a intuição distribuiu-se entre os iguais, viu o primeiro homem com obscuridades ameaçadas. Como, a partir de então, poderia garantir eternidade se se ressaltasse a rapidez do tempo na coloração de seus cabelos? Como legitimar as suas criações? Como proteger os próprios irmãozinhos inferiores (por ordem de chegada e conseqüente ingenuidade) da exultação das quimeras? E a concupiscência do belo? Eles teriam a sabedoria para não desgastá-lo? Eis que era preciso frear o cingidouro das voltas do mundo.

A primeira medida foi tomar para si os dotes de Sondaia* e depois de conseguí-los organizou todos eles em ordem própria. Pensou ser isto suficiente para construir uma fortaleza, mas ao encontrar os seus ele teve grande imprevisto: todos os umbigos caídos, pisoteados como chicletes na calçada por uma multidão em estado de lesa-majestade. Homens se arrulhavam ignorando espaços feito formigas que disputam os restos de um gafanhoto sem vida. Uma cena que imobilizou o homem primevo embaralhando-lhe a razão pela rijeza do espetáculo do susto. Por pouco ele não se uniu ao gesto coletivo, apenas se deteve pelo amor maior que tinha ao pastoreio.

Admirável eram as bocas confeccionando interjeições sem se dar conta de palavras, o que sugeria uma satisfação jamais vista naquele mundo! Mas também assombroso era o fato. Daquele jeito a humanidade não passaria de um dia. Eram tez tão delgadas que poderiam se partir com a mínima sanha a mais. Tanta vitalidade e fragilidade juntas, antes de desperdiçar-se em existência fugaz, poderiam ser administradas e rendidas a favor do maior de todos eles, o homem primevo. Jamais, justificava o primeiro homem, poderiam os inocentes, com mesma maestria e sucesso, cometer erros ou se crivarem de chagas letivas. As irrisórias gentes não avançariam adiante no destino ao se exporem às canículas imprevisíveis dos primeiros tempos. Tanto frenesi dos irmãos só dava força à inaptidão para vida. O sucesso da humanidade era tão possível quanto o fato de uma boana se organizar em fila horizontal para sincronizar a ação das asas.

O homem primevo, convenceu-se, era a única salvação para seus seguidos, mas era preciso, antes de salvá-los, aprender a convencê-los de tal evidencia. Assim foi ter com o sol para tomar lições de regência de heliotropismo para atrair os irmãos como o astro fazia com os girassóis. Na primeira negativa do astro, que duvidava da pureza dos sentimentos do homem adâmico, seu aspirante a discípulo questionou que nobreza teria a lâmpada para usufruir de tal ensinamento do sol só com o intuito de atrair mariposas enquanto ele possuía ambições bem maiores? A resposta do astro-rei foi subtraída às futuras gerações por motivos misteriosos. O que se sabe é que, por impropriedade de paciência, o homem ameaçou o mestre. Disse que, caso ele lhe negasse ensino, encontraria custasse o que custasse o interruptor do universo e estrangularia o galo com uma só mão. Feito que superaria até sua irritação com a noite pelo puro deleite de desaforar o astro.

Diante de tal molecagem o sol cedeu. Eis então como os termos foram postos: a multidão, em círculo hermético, petalou-se em torno de um miolinho, que era o homem original. Assim ela só poderia ver a si mesma ou às outras coisas se este permitisse. E seguia inocentemente, em paz, sem se dar conta de criações maiores, como a fraternidade e a paternidade.

Comentários Desativados em Levítico [Pentateuco]


Exodo [Pentateuco]
04/12/2011, 11:21 am
Filed under: A Bíblia dos céticos

Se, por um lado, a alopatia lhe mitigava os cansaços corporais, por outro, a alma, pela linha invisível do sonambulismo, sortia passado e presente sem reconhecer poente ou nascente dia. Assim não possuía meios de contar o tempo e Sondaia, quieta, só usava do corpo as mãos, para acender e apagar o sol pelo interruptor do mundo. Seu prestígio era pelo fato dela ter criado a taxonomia e por ser sobrevivente de uma hologênese. Era uma dessas espécies de flor de amaranto, com fruto holocarpo, sem a propriedade de  sacarização, assim se definia.

Contudo, num dia nem tão belo, as cortinas da janela cevaram a luz em seu quarto e do pára-ombro o galo surgiu com um recado que lhe crivou o vaso. Disse:

 –   Estando a bela Sondaia ad quem, solicito-lhe presença para fazer existir com propriedade tudo que plantei, criei e construí. Causa debendi, creio que deves seguir o caminho que o galo lhe indicar para por nos termos este que está a quo.

Sondaia respondeu-lhe com graça, porém não sem escárnio. Afinal, tempos não sorria, pelo menos não desde aquela vez que um boi lhe varreu com os cílios as solas dos pés por engano.

 –  Quem és, entômica criatura, para me impor causa debendi? Logo você que se deixou lixar os bicos pelo homem! Pois vá abrir caminhos para o sol e me deixe em paz!

 O galo pacientemente então respondeu:

 – De minimis non curat praetor e cá estou apenas em cumprimento de missão. Tu ignoras forças que me ventaram e empurram este mundo até você. Não podes mais prestigiar da taxonomia como se essa fosse um pertence. Há entre as coisas do mundo alguém que reclama para si tudo que o planeta acumulou. Eis o destino: cor unum et anima una! Este ser é poderoso porque aprendeu a manipular as águas. Ele pode represá-las com tal vigor que cria desertos e move dilúvios em correntezas tão vigorosas quanto passíveis, pois, de talhar uma montanha ao meio. Eu mesmo já vi uma dessas torrentes espraiar de tal forma um pequeno monte de bauxita a ponto de ele ser reduzido a um mísero plano donde, depois de minha morte, ninguém mais guardará lembranças. Todas as outras coisas deste mundo estão cedendo ab hoc et ab hac ao homem. E as que resistem, pobrezitas, são exiladas no reino do invisível.

 A dama solitária então percebeu a gravidade do que se passava e resolveu então, consentir num sussurro:

 –          Abyssus abyssum invocat…

 E resignada, temente ao desconhecido que não controlava afogou o riso na escuridão dos olhos e seguiu, numa jangada hermética o galo papudo. Conheceu, no entanto, a locomoção e isto foi, ironicamente, a coisa mais maravilhosa que lhe ocorreu. Seu algoz era, que surpresa, o redentor. No caminho tomou decisões: entregou sem lamento todo o seu dote, tudo que construíra, ao homem e ficou tão leve que podia voar.

 Por isso a sua palavra se reduziu a um chirrio e os braços em penas se transformaram numa asa. Debaixo das estrelas é que ela preferia vadiar e descobriu o mistério da beleza: fingir-se distraída de seus encantos! Mas isso já é outra história…

Comentários Desativados em Exodo [Pentateuco]


Gênesis 2 [Pentateuco]
04/10/2011, 11:22 pm
Filed under: A Bíblia dos céticos

A vida passava como as páginas de um livro… Um livro sem capítulo folheado por um analfabeto. Foi essa a recompensa da razão, uma dama ingrata e viciante. Mas também foi num tempo assim que ele recriou-se; funcionário da morte, a patroa não mais lhe concedia a indolência. O peso que o segurava ao chão se desmanchava no ventre das traças de modo que qualquer suspiro lanceado levaria consigo todo o resto do corpo preparado, desde os tempos esquecidos, para ferir a vida.

Seria necessário tinta? Madeira? Mármore? Metal? Palavra? Som? Carne? O que? Perguntava… E o silêncio, pai de toda meditação, respondia mas ninguém jamais decifrava seu dialeto, apenas intuía… O homem ignorava quando devia trabalhar e foi assim que ganhou peso suficiente para voltar a terra sem poder sentir o chão, apenas o tocava.

E para onde quer que olhasse só via chão. Chão feito de brita triturada misturada a piche. Asfalto, assim surgiu a idéia. Além deste asfalto, acima e do lado só céu. Corpo azul cravejado de nuvens  alegres que viviam dançando sem nunca chorar. De vestidos leves e alvos sem nunca se turvar. Nuvens refrescadas e risonhas! Céu furado donde vazava uma luz em forma de funil. Luz que todo o asfalto bebia. Sol! Veio-lhe a idéia. Quem furou o céu? O silêncio ficara para trás. O homem ignorava quando devia trabalhar e, por isso, agora já tinha peso suficiente para sentir o chão.

O buraco do sol foi aos poucos se derretendo pela parede do céu e o rasgado se fundiu de tal forma que tudo estava escuro novamente. O firmamento se confundia com o piche do chão e todas as coisas, inclusive ele, em luto se transformaram em tição. De tal forma o azeviche tomara o mundo no de repente e no tudo que agora o homem podia ver o que sua pele guardava por dentro. Oras! Mas onde estava sua semente? O silencio que só andava no escuro respondeu, mas… O homem ignorava quando devia trabalhar e com isso ganhou tanto peso que necessitou andar.

Era tudo ainda tão novo e perfeito que não existiam rugas em que tropeçar e valia nenhuma tinha nem mesmo o vislumbre. Mas como que para contradizer a resignação uma bola feito um lustre redondo se acendeu no céu enlutado. Lua! Veio-lhe a idéia. Foi ela quem fez o lençol negro mais transparente, descobrindo nuvens espiãs por detrás dele. Afinal, de quem seriam aqueles olhinhos brilhando sobre a cabeça humana? Ficou irritado. Que elas o observasse problema nenhum tinha, mas que fizessem isso dissimuladas ele se incomodava. Por isso quis apagar a lua. Onde estava o interruptor do mundo? O homem ignorava quando devia trabalhar e ganhou tanto peso que começou a escutar.

Aquela coxia de um espetáculo que nunca parecia começar: o capricho das nuvens mudando de vestidos toda hora… O vento alfaiate correndo e se lamuriando para lá e para cá em função daquela futilidade vaidosa… O barulho do rastro das fazendas de algodão… As risadinhas bobas por de trás da cortina negra… E o silêncio que nunca se calava – zuimimimuim, etc… Tudo o deixara em estado de tamanha angústia que furar o céu novamente tornou-se uma urgência. Talvez se jogasse uma pedra. Onde existem pedras? Zuimimimuim, palpitou o silêncio… O homem ignorava quando devia trabalhar e ficou tão pesado para voar até o céu e abrir uma brecha para o sol que só lhe restava como solução libertar o verbo.

E do verbo o céu se rasgou e liberou a luz novamente. E o tempo passou a ter como referência a dilatação do céu. Muitas densidades somar-se-iam ao homem que ficou tão poderoso que escravizou o galo para que berrasse em seu lugar e rasgasse o teto do mundo toda vez que este se fundisse.

Comentários Desativados em Gênesis 2 [Pentateuco]


Salmo 1
08/30/2009, 8:50 pm
Filed under: A Bíblia dos céticos

Estou deixando de acreditar em Deus.
N-A-T-U-R-A-L-M-E-N-T-E.
Não mais usar santas na lapela
Amar com cinismo
Temer previsibilidades
Usufruir o que não mereço
Rejeitar votos
Alimentar demônios
Lamentar kriptonitas
Medir possibilidades
Eternizar postes
Nadar no céu
Terminar um dia
Escrever orações insubordinadas.